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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Romã - Punica granatum


Hoje, ao acordar, abri a janela e vi, no quintal do vizinho, uma Romanzeira (Romãzeira) toda florida. A beleza daquela planta prendeu meus olhos por alguns minutos naquela imagem e despertou em mim a vontade de compartilhar com vocês a beleza que vi. Assim, apresento a todos que não conhecem - a ROMÃ, que apesar de não ser específica da nossa região, é também uma das mais lindas Imagens do Nordeste.
(Punica granatum)

Família: Punicaceae.
Divisão: Angiospermae
Origem: Oriente Médio
Ciclo de Vida: Perene
A importância da romã é milenar, ela aparece nos textos bíblicos e os gregos a consideravam como símbolo do amor e da fecundidade. Para os judeus, a romã é um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo, pois acredita-se que o ano que chega sempre será melhor do que aquele que vai embora.

É uma arvoreta que atinge de 2 a 5 m, de tronco acinzentado e ramos avermelhadas quando novos. A romãzeira se adapta desde os climas tropicais e subtropicais aos temperados e mediterrânicos. As flores da romazeira são vermelho-alaranjadas e simples, ocorrendo variedades de flores dobradas como a "Legrellei". Os frutos são esféricos, com casca coriácea e grossa, amarela ou avermelhada manchada de escuro. O seu interior é composto de muitas sementes, cobertas por um tegumento espesso, polposo de cor rósea ou avermelhado, de sabor ácido e doce. É esta polpa que envolve as sementes a parte comestível do fruto.

Sua popularidade no paisagismo tem aumentado muito nos últimos tempos. A utilização da romazeira é usual em jardins de estilo mediterrâneo e é crescente seu cultivo em vasos, adaptando-se aos jardins em varandas e pequenos espaços. A variedade "Nana" (Mini-romãzeira) é a mais apropriada para esta utilização.

Pode ser cultivada em grande variedade de solos, preferindo os profundos, sempre sob sol pleno. Rústica, tolera moderadamente a salinidade, as secas e o encharcamento. Resiste às temperaturas baixas de inverno e é sensível às geadas tardias de primavera. Multiplica-se por sementes.


Constituintes químicos: alcalóides (peretierina, isoperetierina, metil-isoperetierina, pseudo-peretierina), taninos, Vitamina B1 (tiamina), Vitamina B2 (riboflavina), sais minerais (fósforo, potássio, sódio, cálcio, ferro).
-Casca do fruto: taninos, resina, açucares, pigmentos (antocianinas).
-Flores: taninos, pigmentos (antocianinas).
-Sementes: ácidos orgânicos (cítrico, málico e tartárico), vitamina C, água, açucares.


Propriedades medicinais: adstringente, antidiarréica, antidisentérica, antiinflamatório, anti-séptico, antitérmica, antivirótica, diurético, eupéptica, mineralizante, tônico, vermífuga.

Indicações: aftas, amigdalite, angina da garganta, blenorréia, chagas na boca, cólica intestinal, diarréia, difteria, disenteria amebiana, dispepsia, doenças gastrintestinais, doenças do aparelho genito-urinário, dores de garganta, espasmo, desinfetar ferida, febre, fortalece as gengivas, garganta, gases, gengiva, hemorragia do útero, hemorróidas, inflamação, lavagem dos olhos, lavagem vaginal, leucorréia, tênia (vermes), metrorragia, prolapso do útero, solitária (teníase), verminoses, úlceras da boca.

Parte utilizada: sementes, casca do fruto e do tronco, casca da raiz.


Contra-indicações/cuidados: os alcalóides são muito tóxicos e pode provocar náuseas, vômitos e até a morte. A toxicidade em extratos é reduzida pois há a formação de um complexo entre os alcalóides e os taninos. Em alguns países, seu uso é proibido devido à concentração de alcalóides. Há registros de intoxicações seguidos de morte, pela ingestão de 150g de pó da casca da raiz.

Modo de usar: infusão, xarope, decocção.
- Infusão da casca dos frutos, em gargarejo: aftas e dores de garganta;
- Infusão das folhas: lavar os olhos;
- Decocção de 3 colheres de sopa da casca do caule ou da raiz em 1 copo de água. Dividir em 3 doses a serem bebidas em um dia.No dia seguinte tomar um laxante.
- Suco: difteria, inflamações gastrintestinais e afecções gênito-urinários;
- Xarope do suco: anginas e afecções da garganta;
- Infusão da polpa da romã: diarréia;
- Decocção de 40 a 60g do pó da casca do tronco, da raiz ou do fruto em 1 copo de água. Tomar 3 a 4 vezes no espaço de 1 hora;
- Fruto: mascar no máximo 10 pedaços de casca dos frutos por dia: inflamações da boca e garganta;
- Decocção de 1/4 da casca de um fruto por 10 minutos em 1 copo de água.
- decocção da casca de fruta e do arbusto: desinfetar ferida, inflamação de garganta e boca, gases. Tomar 2 a 3 xícaras de chá ou fazer gargarejo da decocção.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Canapum (Physalis angulata)



Physalis angulata L. é uma planta pertencente à família Solanaceae bastante utilizada na medicina popular, principalmente na América do Sul, em países como Peru, Colômbia, Suriname e Brasil (SILVA et al., 2005). É uma planta rica em ácidos orgânicos (cítrico e málico) caroteno, alcalóides, saponinas, fisalinas, fósforo, ferro e alto teor de vitamina A e C (LOPES et al., 2006). 

Essa espécie tem ocupado destaque fitofarmacológico nos últimos anos, em virtude da presença de metabólitos poli-oxigenados e vitaesteróides (Tomassini et al., 2000).  Physalis angulata  L. é uma espécie que apresenta grande relevância em virtude do elevado potencial da espécie para produção de fitofármacos, já que pesquisas comprovam a eficiência de compostos secundários produzidos por essa espécie, a exemplo das fisalinas, que possuem importantes valores fitoterápicos, podendo ser utilizados em tratamento de carcinomas e doenças renais.

Seu lado medicinal não deixa a desejar: é conhecida por purificar o sangue, fortalecer o sistema imunológico, aliviar dores de garganta e ajudar a diminuir as taxas de colesterol. A população nativa da Amazônia utiliza os frutos, folhas e raízes no combate à diabetes, reumatismo, doenças da pele, bexiga, rins e fígado. A planta tem sido estudada também por fornecer um poderoso instrumento para controlar o sistema de defesa do organismo, diminuindo a rejeição em transplantes e atacando alergias. Pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) da Bahia identificaram substâncias com esse potencial na Physalis angulata e já solicitaram patente sobre o uso delas. Testadas por enquanto em camundongos, espera-se que as fisalinas (chamadas de B, F e G) tenham um efeito tão bom quanto o das substâncias usadas hoje para controlar o sistema imune, mas com menos efeitos colaterais, quando forem usadas em pacientes humanos.


“Em geral, ela é usada na forma de chá ou infusão”, diz Milena Soares, pesquisadora da Fiocruz. A erva cresce na América Latina e na África, e as moléculas que produz, as fisalinas, atraíram a atenção dos cientistas porque pertencem ao grupo dos corticosteróides, usados hoje para controlar o sistema imune. “Essas substâncias já tinham sido descritas, mas nós fomos os primeiros a estudar suas propriedades”, conta Soares. O trabalho foi publicado na revista científica “European Journal of Pharmacology” (www.sciencedirect.com/science/). Se for comprovado que as substâncias causam menos efeitos colaterais, a pesquisadora diz que os pacientes com o sistema imune hiperativo seriam poupados de inchaços ou da diminuição da produção de células do sangue na medula óssea, causada pelos medicamentos utilizados hoje.

Cultivo
Para obtenção de mudas dessa espécie  pode-se utilizar sementes (via sexual)  ou a propagação vegetativa via estacas ou microestacas (propagação in vitro). Todos estes métodos podem ser utilizados para propagação comercial, no entanto, a propagação in vitro é uma técnica que permite propagar mais  rapidamente variedades selecionadas, além de garantir a produção de mudas livres de vírus, bactérias e fungos, possibilitando, desta maneira,  a produção de material de alta qualidade genética e sanitária.

Dentre o comércio de pequenas frutas o physalis (P. angulata L.) tem se mostrado uma importante alternativa de renda, devido ao alto valor agregado e a possibilidade de cultivo em pequenas áreas (POLTRONIERI, 2003). 

A physalis (P.angulata L.) é uma planta perene, porém, cultivada comercialmente durante 3 anos, produzindo até 3 Kg de frutos por planta/ano. Esta se destaca por sua ampla adaptabilidade de clima e solo e facilidade no cultivo. Devido a isso, Santa Maria no Rio Grande do Sul está se tornando um pólo de cultivo desta fruta de origem Colombiana, onde corresponde por 70% da exportação de frutas deste País.

A physalis é uma planta rústica, que exige poucos cuidados, e que até agora não apresentou uma doença significativa que possa ser grande ameaça ao cultivo. Desenvolve-se bem em regiões quentes, de clima tropical e subtropical, mas tolera bem o frio. 
Antes de plantar, é aconselhável realizar análise de solo, que deve ser preparado com as mesmas recomendações para o cultivo do tomate. Os melhores solos são os areno-argilosos e pouco ácidos. A semeadura é feita em bandejas de isopor com 128 células, copos plásticos ou saquinhos de polietileno, com substrato para hortaliças, usando-se uma semente por célula, copo ou saquinho. A germinação se dá em cerca de 20 dias.
Quando as plantinhas estiverem com mais ou menos 20 centímetros de altura podem ser transferidas para o local definitivo. Plantam-se grupos de quatro mudas, distantes 30 centímetros uma da outra, em forma de quadrado (uma planta em cada canto). No centro, coloca-se uma vara de bambu ou madeira com cerca de dois metros de altura, para que as plantas sejam amarradas até o final da produção. O espaçamento entre as linhas é de dois metros. A colheita começa quatro meses depois do plantio e estende-se por seis ou oito meses. Cada planta produz até três quilos de frutas.
Curiosidades sobre a Physalis

* No Brasil, a variedade nativa é a Physalis angulata

* No Japão, existe variedade de cor vermelha chamada hosuki. Lá, anualmente, acontece a Festa do Hosuki
* As variedades capsicifolia, esquirolii, lanceifolia, linkiana e ramosissima encontram-se espalhadas pela América, Europa e Ásia
* Apesar de ser bastante rústica e exigir poucos cuidados, é imprescindível o controle de insetos a partir da floração
* Utilizando-se o tutoramento, como nos plantios de tomate ou pimentão, é possível obter uma produção maior em menos tempo
* A physalis também é utilizada como tira-gosto em degustações de vinho
* Na Austrália, a physalis rende uma conserva fina exportada para vários países
* Em Paris é servida em restaurantes elegantes, coberta com chocolate
* Estudos científicos recentes estão revelando que a planta apresenta forte atividade como estimulante imunológico e efeito antiviral contra os vírus da gripe e herpes. Contém alto teor de vitaminas A, C, fósforo e ferro, além de flavonóides, alcalóides, fitoesteróides, alguns recém descobertos pela ciência
* A physalis é rica em carotenóides. Os carotenóides estão na lista dos compostos bioativos considerados funcionais, ou seja, aqueles capazes de prevenir doenças. São corantes naturais capazes de afastar males como cegueira noturna, catarata e até câncer
* A fruta também pode ser encontrada no comércio em forma liofilizada em cápsulas
Ficha da Planta

Plantio: qualquer época do ano


Solo: areno-argiloso, rico em matéria orgânica e com pH entre 5,5 e 6
Clima: tropical e subtropical, mas tolera bem o frio
Colheita: a partir de 120 dias depois do plantio das sementes; pode estender-se por um período de por seis ou oito meses. Cada planta produz até três quilos de frutas.
Receita deliciosa com Physalis
Quem quiser experimentar esta delícia de fruta, pode preparar a receita criada pelo site www.physalis.com.br – Aí vai:


Kudamono (Sashimi de physalis)

Ingredientes: 4 bananas nanicas, 2 maçãs, 8 physalis, 2 carambolas, 8 cerejas, 2 laranjas, açúcar de confeiteiro o quanto baste, 300 ml de creme de leite fresco, 300 ml de leite integral, 80 g de açúcar, 1 fava de baunilha, 2 colheres de sopa de maisena (rasa), 4 gemas.
Modo de fazer: Misture o creme de leite e o leite e acrescente a fava de baunilha aberta e raspada. Leve ao fogo e retire antes de levantar fervura, reserve. Bata as gemas com o açúcar e a maisena e dilua o composto com o creme de leite e o leite reservado. Leve ao fogo brando e mexa ate alcançar a textura desejada, reserve. Distribua o creme de baunilha no centro de cada prato e decore com as frutas devidamente trabalhadas, salpique com o açúcar de confeiteiro.
Fontes de Pesquisa: Revista Globo Rural, Revista Isto É, Universidade de Los Andes e Depto. Ministério de Agricultura y Desarrollo de Colômbia, Plantas Medicinales, www.anbio.org.br e www.physalis.com.br

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Algodoeiro (Gossypium hirsutum)

O algodoeiro é o nome vulgar dado a várias espécies do género botânico Gossypium L., da família Malvaceae. Existem cerca de 40 espécies, arbustivas, nativas das regiões subtropicais e tropicais, algumas das quais são utilizadas para a produçãoda fibra têxtil conhecida como algodão.
Em estado selvagem, os arbustos do algodoeiro conseguem atingir até 7 m de altura. As folhas são grandes, com três, cinco (ou mesmo sete) lobos. As sementes estão contidas numa cápsula, estando cada uma envolvida numa fibra felpuda designada pelo vocábulo inglês lint (plural: linters).


As espécies mais utilizadas para fins comerciais são G. hirsutum (Estados Unidos da América e Austrália), G. arboreum e G. herbaceum (Ásia), e G. barbadense (Egipto). Os linters são, geralmente brancos, mas existem também variedades com cor castanha ou verde que, para não contaminarem geneticamente a variedade branca, têm a sua plantação banida junto às grandes produções de algodão.

Espécies utilizadas para fins têxteis:


  • Gossypium arboreum L. – Algodoeiro-arbóreo, nativo da Ásia meridional. * Gossypium barbadense L. – Algodoeiro egípcio, tambémdesignado como algodão-crioulo ou algodão de Sea Island, nativo da América do Sul tropical.













  •                                                                                                                        Gossypium herbaceum L. – Algodoeiro-asiático ou algodoeiro-do-levante, nativo do sul de África;












  • Gossypium hirsutum L. – Algodoeiro-das-terras-altas ou Algodoeiro-americano, nativo da América Central, das Caraíbas e do sul da Florida.


  • Gossypium vitifolium Lam. - cultivado nos Estados Unidos da América, México, Antilhas e norte da América do Sul.









  • Outras espécies de Gossypium:


Gossypium sturtianum Willis – algodoeiro-de-Sturt, nativo da Austrália.

  • Gossypium thurberi Tod. – algodoeiro-selvagem-do-arizona, nativo do Arizona, Novo México e norte do México.

  • Gossypium tomentosum Nutt. ex Seem – Ma‘o ou algodoeiro-do-Havai, espécie endémica das ilhas do Havai. O seu lint é curto e castanho-avermelhado, não sendo apropriado para a produção têxtil.

Pragas


  • Bicudo - Anthonomus grandis
  • Pulgão-do-algodão - Aphis gossypii
  • Lagarta-do-tomate - Helicoverpa armigera, 
  • Lagarta-australiana-dos-botões-de-algodão - Helicoverpa punctigera
  • Creontiades dilutus - insecto que suga a seiva da planta. 
  • Ácaro-rajado -  Tetranychus urticae, T. ludeni (ácaro-vermelho) e T. lambi
  • Tripes, Thrips tabaci e Frankliniella schultzei

Doenças


  • Mancha de Alternaria -, causada por Alternaria macrospora e Alternaria alternata;

  • Antracnose e ramulose - causada por Colletotrichum gossypii;

  • Podridão negra da raiz - causada pelo fungo Thielaviopsis basicola;

  • Mancha bacteriana de Xanthomonas campestris pv. malvacearum;

  • Podridão vermelha da raiz ou mal do Panamá - causada pelas espécies do género Fusarium;

  • Gomose de Phytophthora - causada por Phytophthora nicotianae var parasitica


Algodão geneticamente modificado

O algodão geneticamente modificado (GM) foi criado a pensar na redução do uso de pesticidas. É plantado em todo o mundo e crê-se que implique o uso de cerca de 80% menos de pesticidas que o algodão norma. Segundo o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Biotecnológicas Agrícolas (ISAAA), a área total mundial dedicada ao cultivo de algodão genticamente modificado é de 67,000 km² em 2002. Isto representa cerca de 20% da área total usada para o cultivo de algodão. As colheitas norte-americanas de algodão geneticamente já representam 73% do total da produção nacional.

A introdução inicial de Algodão GM na Austrália foi um desastre comercial - as safras foram menores que as previstas e os algodoeiros fizeram polinização cruzada com outras variedades de algodão. Contudo, com a introdução de uma segunda variedade de algodão GM, a produção deste tipo de algodão passou a representar 15% da produção nacional australiana em 2003 e 80% em 2004, quando a variedade original foi praticamente suprimida.













O algodão orgânico ou biológico é aquele que é cultivado sem uso de pesticidas ou aditivos químicos fertilizantes, recorrendo a métodos de menor impacte ambiental. Este tipo de algodão é especialmente utilizado na produção de lenços, écharpes e kimonos. Existem diferentes níveis de certificação deste género de produto mas, em geral, exige-se que os solos onde a planta é cultivada não tenha recebido qualquer tratamento químico nos últimos três anos antes da plantação.

 

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