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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ingazeira - Ínga edulis Mart

CARACTERÍSTICAS GERAIS:

As espécies comestíveis de ingá produzem frutos em vagem, grandes e verdes, com sulcos no sentido comprido, que podem atingir até 1m de comprimento. A polpa é branca, levemente fibrosa e adocicada, bastante rica em sais minerais. Em geral, ela é consumida ao natural, pois não se presta a preparações culinárias. Também é usada na medicina caseira, sendo útil no tratamento da bronquite (xarope) e como cicatrizante (chá).


Nome popular: ingá-da-praia; ingá-verdadeiro
Nome científico: Ínga edulis Mart
Família botânica: Leguminosae - Mimosoideae
Origem: Brasil


CARACTERÍSTICAS DA PLANTA
Árvore de grande porte que pode atingir 15m de altura. Folhas divididas em 6 a 8 folíolos presos a uma haste folhosa com pilosidade de coloração ferrugíneo-tomentosa. Flores aglomeradas de coloração branco-esverdeada. Floresce quase o ano todo.

FRUTO
Longo, linear, podendo atingir até I m de comprimento, de coloração verde-pardacenta. Polpa branca, fibrosa que envolve sementes pretas. Frutifica quase o ano todo.

CULTIVO



Cultivo por sementes. Prefere solos arenosos próximos aos rios. De crescimento rápido, esta espécie é a mais conhecida dentre os "ingás".
Em meio à densa e rica floresta, por onde serpenteiam as águas móveis dos igapós, nascem, também, uma infinidade de árvores conhecidas como ingás.
Ali, na beira d'água, os ingás juntam-se às bacabas e às touceiras das palmeiras acaí, cheias de frutos e alimento.
Nas matas de terras firmes, repletas de árvores gigantescas intrincadas num emaranhado de cipós e de raízes aparentes, folhas, frutos e bichos por trás deles, encontram-se outros e variados ingás.

Tudo isso envolto em perfumes inebriantes, magia e silêncios, quebrados apenas pelas revoadas ruidosas dos pássaros.
De acordo com Pio Corrêa, pelo nome indígena de ingá - que significa "embebido, empapado, ensopado", devido talvez à consistência de seu arilo, polpa aquosa que envolve as sementes são conhecidas mais de duzentas espécies do gênero Inga, da família das Leguminosas.
Nem todas elas são nativas das florestas amazônicas, como o ingá-cipó.
Mas, em geral, os ingás preferem nascer às margens dos igapós, embrenhando-se pelas matas marginais dos rios amazônicos. Quando ocorrem em outras regiões, os ingás também são característicos das matas de galeria que seguem os cursos d'água por onde passam.
Assim como todos os outros ingás brasileiros, o fruto do ingá-cipó é uma vagem. Nesse caso, vagens grandes e verdes. A principal característica deste ingá - e que faz com que ele se destaque dos demais - é o fato de sua vagem conseguir atingir até 1 metro de comprimento sem se partir. E é provavelmente por esse motivo, por ser tão comprido e ficar meio espiralado, que ele leva o nome do cipó.
Dentro dessa vagem encontram-se sementes negras e brilhantes. Envoltas pelo arilo - de cor branca, levemente fibroso, de consistência macia e sabor adocicado estas sementes são chupadas e depois botadas fora. Apesar do conteúdo dessa polpa ter propriedades nutritivas, esse fruto é consumido pela população da Amazônia mais como espécie de distração ou passatempo.
As vagens do ingá-cipó são facilmente encontradas à venda nos mercados das cidades amazônicas, podendo ser transportadas da floresta e das áreas de cultivo com facilidade sem se estragarem.
Bastante apreciado em toda a Amazônia, o ingá-cipó é muito cultivado nos arredores das habitações e por toda parte, sendo frequente na mata, no estado subespontâneo.
É muito comum, também, utilizar-se a árvore do ingá-cipó para o sombreamento dos cafezais plantados na região.



Fonte: www.paty.posto7.com.br


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Cássia do Nordeste (Acássia) - Senna Spectabilis



Nome Científico: Senna Spectabilis
Nome Popular: Cássia do Nordeste, Acássia, Tula-de-Besouro, Canafístula-de-Besouro e Pau-de-Ovelha
Família: Fabáceas (a mesma do Pau-brasil
Divisão: Caesalpioideae
Origem: Brasil
Bioma: Caatinga
Ciclo de Vida: Perene

Essa árvore atinge de 6 a 9m de altura,suas folhas são compostas pinadas e suas flores amarelas,dispostas em inflorescências terminais. ela floresce durante os meses de dezembro a abril. já o seu fruto é do tipo legume cilíndrico indeiscente e amadurecem nos meses de agosto até setembro. a Cássia-do-nordeste como o próprio nome diz, ocorre na região nordeste do Brasil,no bioma Caatinga. Essa planta ocorre na caatinga do RN. como sua madeira é mole e relativamente pequena,ela é aproveitada apenas para confeccionar objetos leves, como por exemplo caixotes e como lenha e carvão.




Utilidades:Caixotaria, Carvão, Florada Atraente, Lenha, Uso Ornamental;
Madeira: Moderadamente pesada, mole, pouco compacta, moderadamente durável quando protegida da umidade.
Tronco: Tronco de 30-40 cm de diâmetro, revestido por casca fina, lisa e com ritidoma estriado.
Folha: Folhas alternas espiraladas, estipuladas, compostas paripinadas, com 10-20 pares de folíolos ovalados a oblongo-elípticos, de base arredondada e ápice agudo, glabros, de 2-4 cm de comprimento.
Flor: Flores amarelas, vistosas, bissexuais, diclamídeas, dispostas em longas panículas terminais.
Fruto: Fruto legume alongado, cilíndrico, indeiscente, negro, com sementes amareladas dotadas de pleurograma. Fruto não comestível.
Potencial Paisagístico: A árvore é extremamente ornamental durante o longo período que permanece em flor, podendo ser empregada com sucesso no paisagismo em geral.

Fenologia: Floresce durante os meses de dezembro-abril. Os frutos amadurecem no período de agosto-setembro.
Sementes por Quilo: 27600
Sementes por Cova: 3
Mês de Coleta: Setembro
Longevidade e Armazenamento: Sua viabilidade em armazenamento é maior que 6 meses.
Colheita: Colher os frutos diretamente da árvore quando iniciarem a queda espontânea, ou recolhê-los no chão após a queda. Em seguida deixá-los ao sol para secar e facilitar sua abertura e a liberação manual das sementes.
Quebra de Dormência: Não há necessidade.
Como Plantar: Colocar as sementes para germinação, logo que colhidas, em canteiros semi-sombreados contendo substrato organo-arenoso; cobri-las com uma leve camada do substrado peneirado. A taxa de germinação é geralmente inferior a 30%. Transplantar as mudas para embalagens individuais quando atingirem 4-6 cm, as quais ficarão prontas para o plantio no local definitivo em 4-5 meses. O desenvolvimento das plantas no campo é rápido, atringindo facilmente 3,5 m aos 2 anos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Boa-noite - Catharanthus roseus.


Hoje, a pedidos do meu amigo Silvio César, vamos postar sobre a rústica beleza da Boa-noite.

Nome Científico: Catharanthus roseus
Sinonímia: Vinca rosea, Ammocallis rosea
Nome Popular: Vinca, vinca-de-gato, vinca-de-madagascar, boa-noite, maria-sem-vergonha, bom-dia
Família: Apocynaceae
Divisão: Angiospermae
Origem: Cosmopolita Tropical
Ciclo de Vida: Perene

A Catharanthus roseus é uma planta rústica e pouco exigente nativa e endêmica de Madagáscar. Na natureza selvagem esta espécie se encontra em processo de extinção, isso por causa da destruição do habitat pela queima e a agricultura. Mesmo assim, a Boa-noite está sendo cultivada em todos os lugares que apresentam um clima tropical e subtropical e está ocorrendo um processo de naturalização nesses novos lugares.


A Boa-noite é uma das plantas medicinais mais extensivamente estudadas. Além de planta ornamental, sua importância se deve à produção e acúmulo de alcalóides bisindólicos nas folhas (vimblastina e vincristina), utilizados no tratamento de diversas formas de câncer. No entanto, há poucos relatos na literatura sobre o desenvolvimento dessa espécie em relação às variações de fatores do ambiente.
Quando foi descoberta, pelos europeus, foi denominada erradamente de vinca ou mirta. Esse erro foi corrigido e a vinca-de-madagáscar foi reclassificou no gênero Catharanthus e lhe foi atribuída o nome de Catharanthus roseus. O direito binomial da vinca-de-madagáscar é prezado para G. Don, o pesquisador que a coletou, a estudou e tirou as conclusões que se tratava de uma espécie do gênero Catharanthus. A vinca-de-madagáscar possui vários sinôminos entre eles Vinca roseua (Basinômino), Lochnera rosea e Ammocallis rosea. Por causa de suas características é classificada na divisão das Angiospermas porque esta planta produz flores e frutos.

Descrição

A vinca-de-Madagáscar é uma planta perene, que geralmente são cultivadas em canteiros ou jardins de flores. Em um clima frio a vinca-de-Madagáscar desenvolve um caule lenhoso, pode crescer até um metro de altura, as folhas são brilhantes e medem de 5 a 7 centímetros (cm) de comprimento. As cinco pétalas de flores são tipicamente rosa, mas podem ser cultivadas em cores vermelho, roxo e branco. As flores florescem melhor no verão e como a maioria dos membros da família das Apocynaceae esta planta pode expelir um tipo de látex leitoso. Existem várias subclassificações usadas para dividirem a Catharanthus roseus, são elas:
  • Cooler - Ou resfriada crescem compactadas de formato arredondado, as pétalas são sobrepostas, ou seja, uma sobre a outra formando uma especié de pastel;


  • Carpetes - Inclui Catharanthus roseus que medem de 7 a 10 cm de altura e espalha-se a 60 cm pelo chão. São ótimas plantas para decorações;


  • Pretty - Ou coisa bonita, assim como as de Cooler, as Pretty são compactas e possuem muitas flores numa só planta, medem cerca de 30,5 cm de altura;


  • Névoa da manhã - Possui grandes flores brancas com o centro rosa;


  • Guarda-sol - Tem grandes flores que medem 5 cm de largura, são brancas com centro rosa. A planta mede cerca de 60 cm de altura.

Descoberta da Vimblastina

O descobridor da substancia vimblastina foi o Dr. Robert Laing Noble da Universidade de Toronto em 1934. A descoberta da vimblastina esteve comumente ligada a diabete. No ano de 1952. o Dr. Noble recebeu de seu irmão Dr. Clark Noble um envelope que continha 25 folhas da vinca-de-Madagáscar. Esse envelope veio da Jamaica, mandado por um paciente Dr. Clark, ele dizia que na falta da insula para diabéticos eles usavam o chá da vinca-de-Madagáscar. Percebeu-se que as folhas tinham poucos efeitos na diminuição da glicose no sangue, mas a diminuição dos glóbulos brancos no sangue foi o que chamou a atenção do Dr. Noble, o que sugeriu na possível cura da leucemia.

No ano de 1954 o Dr. Beer e a equipe do Dr. Noble conseguiram identificar, separar e purificar um alcaloide que veio a ser chamado de vimblastina que impediu a multiplicação dos glóbulos brancos no corpo o que veio a combater a leucemia. Até hoje a vimblastina é usada para o combate da leucemia, e também se misturada com outras substância anticancerígena pode vir a combater outros tipos de cânceres.


Utilidades

Uso para a farmacologia
Já foram encontrados mais de setenta tipos diferentes de alcaloides na vinca-de-Madagáscar. Outro alcaloide além da vimblastina é a vincristina (extraído das flores da planta) que também é usado na cura do câncer como linfomas, Doença de Hodgkin, câncer de mama, leucemia linfocítica aguda, sarcomas de tecidos moles, Mieloma múltiplo, Neuroblastoma. A extração e fabricação da vimblastina e da vincristina são controladas por causa de sua toxidade, entre eles a neuro-estar. Embora a vimblastina e a vincristina forem semelhantes em estrutura e a mesma ação as duas substância produzem efeitos diferentes sobre o corpo. A vincristina é considerada um pouco superior a vimblastina na cura da linfossarcoam. A raíz da vinca-de-madagáscar contém outro alcaloide chamado de alstonina que tem um efeito calmante e que é capaz de reduzir a pressão arterial.

Uso para a medicina alternativa
A vinca-de-madagáscar foi muito usada na medicina alternativa de vários países do mundo. Na medicina tradicional chinesa, a vinca-de-madagáscar tem sido usada para o tratamento de diversas doenças E como planta ornamental. Na medicina tradicional chinesa, extratos da vinca-de-madagascar têm sido usados para combater diversos tipos de doenças incluindo diabetes, malária e a doença de Hodgkin. Na Índia suas folhas eram utilizadas para tratamento de picadas de vespa. No Havaí, esta planta era fervida em água, dando origem a um cataplasma que era utilizada na paralisação de hemorragias.

Proibições de uso
Os conflitos históricos de indígenas, o uso como alucinógeno, uso recente da vinca-de-madagáscar como patente sobre medicamentos derivados por empresas de fabricação de medicamentos levou a acusações de biopirataria. Como a vinca-de-madagáscar pode ser perigosa se consumida por via oral e também ter um grande poder alucinógeno foi-se proibida o cultivo, a posse e a venda no estado americano da Luisiana segundo a lei estadual de nº159.


Cultivos

A espécie é muito cultivada pela medicina alternativa e também com planta alternativa. A Boa-noite é uma planta muito rústica e pouco exigente, por esses motivos pode ser cultivada em quase todo o mundo onde se apresenta um clima tropical e subtropical. O cultivo deve ser feito em um solo fértil e deve ser regado constatemente. Embora a vinca-de-madagáscar seja bem resistente a seca e aguentar até um ano com pouca água. É geralmente usada nas decoraçãos de jardins, em maciços, em vasos, em bordaduras, em jardineiros e vasos. O período de aparecimento das flores estende-se por todo o ano. Apesar de ser um bela planta, a vinca-de-madagáscar é geralmente trocada por perídos de dois anos, isso é feito porque ela perde sua beleza com o passar dos anos.



terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mangueira - Mangifera indica L.


1.Introdução
A mangueira, Mangifera indica L., planta da família Anacardiaceae, originária da Índia é uma planta de distribuição tropical, capaz de se desenvolver com êxito em regiões subtropicais. A manga ocupa o quinto lugar entre os frutos tropicais no mercado internacional; os quatro primeiros são banana, citros, abacaxi e castanha de caju (GALAN, 1993). Até o presente momento, 94 países são produtores de manga, sendo uma das culturas mais cultivadas no mundo (SCHAFFER et al., 1994).

A maior aproveitamento do fruto tem sido na forma "in natura" ou processados na foram de suco, compotas, entre outras. Em adição, as folhas bem como o tronco (madeira) podem ser aproveitados nas indústrias farmacêuticas e madeireira, consecutivamente. 



A mangueira foi introduzida no Brasil, proveniente do continente Africano, pelos portugueses, no século XVI. Depois de um longo período sem desfrutar de maior prestígio, possivelmente pela fartura com que era encontrada em pomares domésticos, a manga vem atualmente alcançando elevados preços a nível de produtor, não só pela existência de um mercado interno disposto a remunerá-la adequadamente, desde que tenha boa apresentação e ótimas qualidades para o consumo, como também pelo crescente volume exportado, especialmente para a Europa. O maior problema do cultivo da mangueira para quase todas as variedades é a irregularidade na produção. A utilização de reguladores vegetais na cultura da mangueira permite o atendimento mais racional da demanda, considerando-se épocas mais favoráveis do ponto de vista comercial e fitossanitário, podendo também contribuir para controlar a alternância de produção (CUNHA et al., 1994). Segundo SCHAFFER et al., (1994) as industrias são afetadas pela inconsistência na produção anual com uma flutuação de 150%.  No entanto, para a obtenção de sucesso nesta prática, o produtor deverá conhecer os mecanismos fisiológicos da planta (agentes endógenos e exógenos) que naturalmente atuam sobre este processo.  


2. Biologia floral
O efeito das condições meteorológicas sobre a cultura se faz sentir com maior intensidade no período de florescimento e de frutificação. A mangueira é planta essencialmente adequada para cultivo em região de acentuada estação seca (BERWICK, 1940). Em regiões muito chuvosas, a planta tem desenvolvimento vegetativo prolongado, à custa da frutificação (SIMÃO, 1971).  As inflorescências da mangueira se originam do desenvolvimento da gema terminal. Este comportamento é hereditário, embora a remoção da gema terminal permita a produção de panícula pelas gemas laterais. A maior porcentagem de flores perfeitas surge no início do florescimento. De acordo com POPENOE (1927) cada panícula tem de 200 a 400 flores, das quais 2 ou 3 % são perfeitas, em algumas variedades. Porém em outras chegam a 60 e até 70 %. No entanto, não há  correlação entre a porcentagem de flores perfeitas e a produtividade da mangueira (POPENOE, 1971), pois mesmo em condições favoráveis, a proporção de frutos para flores perfeitas é de 1: 1600. SIMÃO (1971) informa que o número de panículas varia de 400 a 17.000. 

Segundo SIMÃO et al. (1996) no estudo da frutificação da mangueira, a fixação e a queda dos frutos adquirem importância fundamental, uma vez que determinam a colheita final. 
A mangueira é caracterizada pela produção copiosa de panículas, porém com desproporcional produção de frutos. Uma das principais causas deste fato é que esse período coincide com baixa temperatura (KHRADER et al. , 1988). Na variedade Haden segundo POPENOE (1917), o grão de pólen não germina à temperatura de 15 0C.

3. Efeito do comprimento do dia sobre o florescimento
Iniciação floral refere-se ao começo do desenvolvimento de uma gema indiferenciada a qual se tornará uma gema floral após receber indução. A indução floral refere-se ao período quando uma gema indiferenciada percebe o estímulo fisiológico para tornar-se uma gema floral. Na maioria das áreas produtoras de manga a iniciação floral ocorre no outono e início do inverno quando o comprimento do dia vai diminuindo. Entretanto, a iniciação floral é controlada também por outros fatores. Nunez &Elisea (1993) citados por (SCHAFFER et al., 1994) expuseram plantas da variedade Tommy Atkins em períodos de 10, 12 ou 14 horas sob temperaturas favoráveis para indução (18°C dia/10°C noite) e não-indução (30°C dia/ 25° C noite) e concluíram que as respostas foram similares entre os fotoperíodos sob temperaturas favoráveis para a indução, enquanto que nenhum período floresceu sob regime de temperatura não favorável a indução. De maneira geral, em função deste fato, a mangueira pode ser considerada como uma planta neutra em relação ao fotoperíodismo. 


4. Efeito do nível de luz
A interceptação solar das folhas maduras é essencial para a indução do primórdio floral em gemas de magueiras. Segundo SCHAFFER et al. (1994), tem sido observado na Índia que um significante número de flores perfeitas (hermafroditas) ocorre no lado da planta que recebe mais luz diretamente.
Quando as plantas estão desfolhadas ou se as folhas são mantidas sob sombra no período de iniciação de desenvolvimento da gema, um ramo vegetativo será formado no lugar de um primórdio floral. Contudo a relação entre luz e indução floral na manga ainda não está claramente elucidado, devido, provavelmente a influência de outros fatores como a temperatura e stress hídrico. 


5. Efeito do temperatura
Muitos estudos tem demostrado o efeito da temperatura no florescimento. Por exemplo, SHU & SHEEN observaram que as gemas auxiliares da variedade Haden, sob temperaturas diurnas/noturnas de 19/13° C e 25/19° C tiveram 87 e 60 % de desenvolvimento floral e 31/25º C apenas ramos vegetativos foram formados das gemas e, ainda, verificaram um aumento de 18 a 100% de gemas floríferas quando as plantas foram transferidas para 31/25º C seguidas de 1-3 semanas a 19/13ºC.

6. Efeito do stress hídrico
De todos os fatores climáticos o stress hídrico assume uma importância maior. O stress hídrico promove a indução floral não somente na mangueira como, por exemplo, na cultura do cafeeiro e limoeiro.
Em condição tropical, o estímulo a indução floral inicia-se em folhas maduras sendo que as folhas imaturas apresentam grandes quantidades de inibidores florais (CHEN, 1987). Na mangueira, a baixa concentração de estímulo floral em cada folha é provavelmente parcialmente compensada pelo aumento proporcional de folhas maduras. Sob condição de stress hídrico, a desidratação do meristema apical pode tornar-se mais sensível a baixos níveis de estímulo floral. Enfim, o aumento da sensibilidade para a indução floral em soma ao aumento da área foliar madura pode compensar a falta de temperaturas mais baixas ideais para a indução nas regiões tropicais (SCHAFFER et al. ,1994).


7. Necessidades da Planta
Clima: deve ser tropical quente embora a planta tolere grande variação climática.
Temperatura: baixa na floração impede a abertura das flores; alta temperatura pode antecipar a época de colheita. Temperatura elevada só prejudica se acompanhada de vento e baixa umidade relativa na frutificação. A planta desenvolve-se bem e frutifica em temperaturas entre 21 e 27ºC (ótimo 24ºC).
Chuvas: a planta vegeta e frutifica em área com chuvas anuais entre 450 mm. e 2.500 mm. com ideal em torno de 1.000 mm. , regiões com período chuvoso e seco bem definido são ideais para o cultivo da mangueira desde que o período seco inicie-se antes da floração e o chuvoso reinicie-se pós frutificação, imprescindivelmente.
Umidade relativa: não deve estar acima de 60%; umidade alta interfere na polinização e induz proliferação de doenças como oídio e antracnose que reduzem a produção dos frutos.
Luz: a mangueira requer radiação solar abundante para entrar em floração e frutificar com pelo menos, 2.000 horas/luz/ano. As exposições soalheiras são as mais favoráveis e o plantio deve ser orientado no sentido norte e nordeste.
Vento: ventos constantes com temperatura elevada e baixa umidade relativa causam queda de frutos (excesso de transpiração); ventos fortes causam queda de flores e de frutos. Recomenda-se uso de quebra ventos.
Solos: devem ser profundos, permeáveis e ligeiramente ácidos (pH entre 5,0 e 6,0) e leves; evitar solos alcalinos (induzem cloroses), os excessivamente argilosos e os sujeitos à encharcamento.
Os solos mais favoráveis à mangueira são os areno-argilosos ricos em matéria ôrganica e nutrientes, profundos, planos a ligeiramente ondulados.



8. Propagação da mangueira.
A mangueira pode ser propagada por sementes (plantios domésticos) e por enxertia (borbulha, garfagem) em viveiro para plantios comerciais visando-se obter pomares mais uniformes, precoces e produtivos. De ordinário a muda obtida via enxertia de garfagem estará apta ao plantio em campo 10 meses após semeio da semente para formação do porta-enxerto. Sugere-se a obtenção de enxertos, quer para plantios caseiros quer para plantios comerciais, em viveiristas credenciados por organizações oficiais interessadas em agricultura.
9. Formação do Pomar:
Preparo da área: as operações consistem de roçagem, queima de mato, encoivaramento e destoca, limpeza da área. Preparo do solo: procede-se a uma aração a pelo menos 20 cm. de profundidade seguindo-se uma gradagem 20-30 dias após. Coleta-se amostras de solo para análise em laboratório.
Espaçamento/alinhamento: com bons resultados tem-se usado espaçamento de 10 m. x 10 m . ( 100 plantas/hectare ) e até 10 m. x 8 m. (125 plantas por hectare) para plantios comerciais; o plantio de culturas intercalares, até a mangueira entrar em franca produção, é recomendável como cereais anuais, mamão, abacaxi, tangerinas.
Os formatos de plantios podem ser do tipo retângulo, quadrado ou quinconcio e o alinhamento pode ser quadrangular, retangular, triangular e em nível (curvas em terreno declivoso).
Coveamento / adubação: as covas poderão ter as dimensões de 50 cm. x 50 cm. x 50 cm. ou 60 cm. x 60 cm. x 60 cm. (solo leve ou pesado); devem ser abertas 30 dias antes do plantio separando-se a terra dos primeiros 15-20 cm. Em seguida mistura-se 15-20 l. de esterco de curral curtido + 300 gramas de superfosfato simples + 200 gramas de cloreto ao solo separado. Caso necessario aplica-se 1.000g. de calcario dolomítico ao fundo da cova e cobre-se ligeiramente com terra; em seguida joga-se a metade da mistura adubos + terra separada à cova.
Plantio: remove-se envoltório plástico da muda, coloca-se torrão com muda na cova de modo que a sua superficie fique ligeiramente acima do solo; com resto da mistura terra + adubos enche-se a cova, faz-se bacia em torno da muda, irriga-se com 15-20 l. de água e cobre-se a bacia com palha ou capim seco sem sementes. A melhor época de plantio é no início do período chuvoso e em dia nublado.



10. Tratos Culturais:
Eliminação de ervas daninhas: manter pomar livre de ervas daninhas através do roçagem no período chuvoso (roçadeiras) e de capinas no período seco (grades, capina manual ou herbicidas). Cultivos em coroa ( em torno da planta) podem ser feitos a enxada. Em pomares novos (notadamente em terrenos frescos), pode-se cultivar leguminosas. A capina em coroamento é imprescindível.
Poda: plantas jovens (Keitt e Palmer) requerem podas leves de formação. Poda de formação consiste em deixar a muda com 3 ramos laterais que se originem na planta, a 1m. do solo (de pontos diferentes).
A poda de planta adulta é feita após a colheita dos frutos com corte de ramos apicais, rebentos do porta-enxerto e tronco, eliminação de ramos doentes, mortos ou baixos para reduzir o porte da planta, permitir maior penetração de luz na copa, facilitar tratos sanitários e a colheita.
Indução artificial de floração: pode-se antecipar a floração com uso de ethephon ou nitratos (de potássio ou de amonio) pulveriza-se plantas a partir de 4 anos de idade (entre o final da estação chuvosa a início da estação seca, em ramos com 7 meses e em horas menos quentes do dia) com 200 ppm de ethephon repetindo-se a aplicação por 2 vezes com intervalos de uma a duas semanas. Um mês após término do tratamento ocorre a floração.
Irrigação: irrigação é importante, desde pouco depois do plantio até o início da produção, nos períodos de estiagem; a partir do quarto/quinto ano de vida irrigar durante o período de escassez de chuvas e interromper 2-3 meses antes da floração. Voltar a irrigar na formação/desenvolvimento do fruto com regas semanais ou quinzenais, irrigar também nas épocas de adubação.
A escolha do sistema de irrigação está condicionada aos recursos hídricos do local, topografia do terreno, caracteristica do solo, fatores climáticos, aspectos econômicos e fatores humanos. Sob sistemas de irrigação por gotejamento, microaspersão, aspersão, sulcos e microbacias a cultura da mangueira pode ser explorada.
Quebra-ventos: em regiões onde há ventos fortes e constantes quebra-ventos devem ser instalados antes da implantação do pomar usando-se espécies arbustivas/arbóreas e de crescimento rápido plantadas a 10-12 m. da primeira fileira de mangueiras. Evita-se queda de flores e frutos, quebra de galhos, ressecamento (folhas, galhos novos) diminuição da polinização (por insetos).
Calagem/adubação de manutenção: recomenda-se adubação, via foliar com micronutrientes como cobre, zinco e manganês. Para plantios não irrigados sugere a seguinte adubação de manutenção:

Ano pós pegamento /Início das chuvas Fim das chuvas:
 
U
Kcl
Est.
U
S.S
Kcl
U
S.S
Kcl
55
35
-
-
-
-
55
-
35
-
-
15 l
65
220
65
65
220
65
-
-
15 l
85
290
85
85
290
85
-
-
15 l
110
350
90
110
350
90
5º*
  
20 l
170
450
100
170
450
100
Obs.:
U - Uréia
Est. - Esterco
* Em diante
Em plantas adultas aplicar adubos em valas a 2,0 m. de distância do pé e a 20 cm. de profundidade.





11. Consorciação de Culturas:
Consorciar o mangueiral com culturas temporarias, de porte médio a baixo (feijões, amendoim, milho, abóbora, melancia, melão) ou com outras fruteiras (mamão, goiaba, maracujá, abacaxi); essas consorciadas devem ser plantadas a 1,5 m. de distância da linha de plantio da mangueira.



12. Pragas: 
Mosca-das-frutas: Anastrepha sp., Ceratitis capitata. Diptera, Tephritidae.

Causa grandes prejuízos economicos a cultura da mangueira com perdas de até 50%, na produção. A fêmea põe ovos embaixo da casca do fruto ainda imaturo, as larvas (lagartas afiladas, brancas, sem patas) alimentam-se da polpa do fruto. Desenvolvida a lagarta abandona o fruto, enterra-se no solo de onde emerge o adulto para acasalar-se.

Controle:
- Isca tóxica atrativa: melaço de cana ou proteína hidrolisada associadas (7 l. melaço ou 1 l. de proteína) a um inseticida (malathion - 200 ml) em 100 litros de água. Pulverizar a intervalos de 10 dias (100 ml. de calda/planta) a cada 5 fileiras de plantas, procurando-se atingir a face inferior da folhagem no fim da tarde.

- Evitar permanência de frutos maduros na planta ou caídos no chão (devem ser enterrados a 70 cm de profundidade).

- Tratamento pós colheita: imersão do fruto em água quente (46,1ºC) por 75 minutos (frutos até 425 g. de peso) e por 90 minutos (frutos entre 426 e 650 g.)

Cochonilha: Aulacaspis tubercularis, (New, 1906), Homoptera, Diaspididae.

Fêmea possui carapaça circular convexa e branco acinzentada; suga a seiva da planta em todas as partes verdes provocando queda das folhas e secamento de ramos e aparecimento de fumagina (cobertura preta das folhas).

Controle:
- Pulverizações de óleo mineral para agricultura associado a inseticidas fosforados (diazinom, malathion, paratiom).

Ácaro: Eriophyes mangiferae, Sayed, 1946 - Acari, Eriophyidae.

Adulto tem aspecto vermiforme, cor branca. Infesta gemas terminais e inflorescencias causando atrofiamento e morte de brotos terminais de mudas e plantas adultas.

Controle:
- Deve ser rigoroso em viveiros e pomares em formação. Podar e queimar inflorescencias mal formadas. Pulverizar com produtos, a base de dicofol, quinomethionato.

13. Doenças:
Antracnose - agente: fungo Colletotrichum gloeosporioides (Penz)

De grande importância econômica por danos que causa ramos novos, folhas, flores e frutos. Folhas com manchas escuras, flores enegrecidas que caem, frutos com lesões irregulares, deprimidas são alguns sintomas.

Controle: 
- Plantio com maior espaçamento, podas leves de limpeza e abertura da copa, plantio em regiões com baixa umidade do ar.

- Pulverizações preventivas (iniciadas antes da floração até alguns dias antes da colheita) quinzenais com benomyl (0,03%), ou semanais com mancozeb (0,16%); a partir da formação dos frutinhos usar fungicidas cúpricos.

- Plantio de variedades medianamnente resistentes como Tommy Atkins, Keitt.

Seca-da-mangueira

Provocada pelo fungo Ceratocistis fimbriata é das doenças mais graves que afetam a mangueira e pode provocar sua morte em pouco tempo. Amarelecimento seguido de murcha e seca das folhas do ramo atacado, formação de bolsas de seiva com exsudação são sintomas. Dizem que a broca-da-mangueira abre caminho para a infecção.

Controle:
- Inspecionar pomar com frequência e podar ramos atacados a 40 cm do ponto de infecção e queimá-lo. Desinfetar ferramenta com hipoclorito. Pincelar parte cortada com pasta cuprica.

- Pulverizar planta afetada e adjacentes com calda contendo oxicloreto de cobre (50%) acrescida de 0,4% de carbaryl (para controle da broca-da-mangueira).

- Usar cultivares (copas e porta-enxertos) resistentes (Tommy Athins, Keitt).

Colapso Interno

Distúrbio fisiológico que produz amolecimento da polpa e pode atingir todo o fruto. Indicios apontam para desequilibrio nutricional como causador do problema.

Oidio

Doença proveniente do fungo Oidium mangiferae que causa danos graves a ramos novos, folhas, inflorescência, flores e frutos. Pó branco-acinzentado que se deposita sobre o órgão da planta é o sintoma clássico. Há perda de folhas e flores e até frutos.

Controle:
- Pulverizações preventivas com fungicidas a base de enxofre (antes da abertura das flores, na queda das pétalas e após formação do fruto).

14. Colheita / Rendimento:

Mangueira enxertada e bem conduzida inicia produção no 3º ano pós plantio; a produção econômica começa no 4º ano, e 5 a 6 meses pós floração inicia-se a colheita. No Nordeste a colheita ocorre, normalmente, entre outubro e fevereiro e entre agosto e outubro (plantas induzidas).

Frutos são colhidos desenvolvidos (de-vez) para comercialização e colhidos maduros para consumo imediato; em planta de pequeno porte, colhe-se à mão torcendo o fruto; em plantas de alto porte utiliza-se da vara de colheita (bambu ou madeira flexível com aro de ferro cilíndrico de ¼" ao qual prende-se um saco).

Nas grandes plantações usa-se colhedeira motorizada (triciclo hidráulico).

Na colheita deve-se evitar cortes, abrasões e choques que afetem o fruto. Os frutos colhidos são colocados em caixas coletoras que permanecem à sombra (evitar transpiração, respiração e queimaduras).

Obtem-se 500 a 700 frutos/ano/mangueira adulta; no Nordeste brasileiro tem sido relatados rendimentos de 20-30 t/ha/ano.




15. Referências bibliográficas
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